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 Técnicas de Filmagem (II)

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Nuno R.
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Mensagens: 29
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MensagemAssunto: Técnicas de Filmagem (II)   Qua Jan 20, 2010 3:43 am

ENQUADRAMENTOS - O enquadramento é o campo visual capturado pela objectiva da câmara. A esse elemento capturado chamamos plano, o qual mediante a disposição dos elementos ganha diferentes valores significativos e diferentes tempos de leitura. São vários os tipos de enquadramento que se podem usar no momento de filmar. Neste tipo de plano as costas e o ombro do jornalista podem aparecer em algumas das
respostas do entrevistado, embora vá criar algum ruído na imagem.
O entrevistado deve surgir sempre em primeiro plano, olhando na direcção do jornalista. Este pode surgir em primeiro plano nas perguntas, com um enquadramento similar ao do entrevistado.
Este plano normalmente é gravado posteriormente ao fim da entrevista. Nesta fase o
jornalista pode também “perguntar” usando, como imagem um plano médio, dando assim mais recursos de imagem para o trabalho de edição.


PLANOS DE CORTE - Este tipo de plano é essencial na construção de uma peça de televisiva já que permite a mudança de planos, locais e momentos.
Um dos planos mais famosos em televisão é o plano de corte que utiliza as mãos do
entrevistado. Este típico plano causa ruído e distracção sendo por isso considerado uma coisa do passado.
Outros planos, não menos famosos, são o de alguém a escrever ou a imagem de uma
outra câmara de filmar. Estas também são imagens do passado que nada acrescentam e que também causam ruídos, distracção, quebra na história visual.
Ao usar o plano de mãos como plano de corte, o telespectador perde a atenção, e a
peça fica prejudicada na sua sequência informativa, já que as mãos não se relacionam
com o conteúdo.
Este plano deve ser substituídos por planos abertos, planos fechados ou pela utilização
do plano e do contra-plano do jornalista e do entrevistado.


OS CONTRA-PLANOS - É um plano recomendado sempre que existam condições para tal, já que facilita a edição do diálogo.
O que é contra-plano do entrevistado? É a gravação deste calado enquanto olha para o
jornalista que lhe coloca a questão.
Por sua vez, o contra plano do jornalista, é naturalmente a imagem oposta, olha para o
entrevistado ouvindo-o numa atitude neutra, sem movimentos de cabeça a dizer que
“sim” ou “não”, nem recorrendo ao “uhm, uhm”.
O repórter de imagem é essencial nestas situações visto que avisa o jornalista dos movimentos de cabeça, caso eles existam.
O jornalista neste momento caso use microfone de mão, deve ter o cuidado, de efectuar as questões colocando o microfone sempre à mesma distância que usou para colocar a questão ao entrevistado durante a entrevista.

PLANO GERAL - O plano inteiro é outro que facilita o trabalho de edição.
Nas entrevistas em salas ou gabinetes, o plano geral deve ser feito para que apareça o jornalista e o respectivo entrevistado na imagem. Este plano pode ser feito mais cedo, enquanto o jornalista prepara a entrevista na conversa prévia com o entrevistado, ou pode ser feita no fim, quando a entrevista terminou.


o AS REGRAS:
OS 180º - É uma regra que os repórteres de imagem devem respeitar. Traça-se uma linha imaginária que une o jornalista ao entrevistado, e apenas se trabalha de um desses lados, respeitando sempre o ângulo de 180º.
Ao ser respeitada a regra, o telespectador tem a facilidade de perceber que mesmo que o jornalista e o entrevistado não apareçam juntos, o entrevistado está voltado para o jornalista e vice-versa.


o CENTROS DE INTERESSE - O interesse do telespectador sobe em função da localização do centro da imagem.
O centro de interesse principal deverá ser colocado no terço direito da imagem.
Se a imagem tiver um único centro de interesse, toda a acção se centra nele.
A imagem poderá ter dois centros de interesse e nesse caso a nossa atenção divide-se
por ambos.
Se uma imagem tiver vários centros de interesse, a atenção varia, centrando-se
alternadamente num ou noutro ponto, conforme a sua posição relativa



o ESCALA DE PLANOS - Considerando um homem como exemplo, podemos dividir o seu espaço em três grandes áreas demonstrativas:
1. A que nos mostra o ambiente que o envolve
2. A que nos permite observar a acção que executa
3. A que nos possibilita analisar a sua expressão

Desta forma surgem três grupos de planos: Ambiente, Acção e Expressão


Os planos de ambiente podem ser:
_ PMG - Plano Muito Geral
_ PG - Plano Geral

Os planos de acção podem ser:
_PGM - Plano Geral Médio
_PA - Plano Americano
_ PM - Plano Médio

Os planos de expressão podem ser:
_ PP - Plano Próximo
_ GP - Grande Plano
_ MGP - Muito Grande Plano
_ PD - Plano de Detalhe



AS CARACTERÍSTICAS DOS DIVERSOS PLANOS:


PLANO MUITO GERAL (PMG) - É o plano que não tem qualquer limite, é bastante geral. Contém, essencialmente, o ambiente. O elemento humano quase que não é visível na imagem.

PLANO GERAL (PG) - Este plano também se centra no
ambiente. Apesar disso já se vê o elemento humano na
imagem. Este plano já contém alguma acção apesar de o
ambiente ainda prevalecer.

PLANO AMERICANO (PA)
- Neste plano, apesar do ambiente estar presente, o conteúdo principal é a acção das personagens. O limite inferior da imagem corta o ser humano pelo meio da coxa.

PLANO MÉDIO (PM) - O ambiente não surge neste plano. Este plano caracteriza-se fundamentalmente pela acção da parte superior do corpo humano. O plano é cortado pela cintura. Este plano é considerado um plano intermédio entre a acção e a expressão.

PLANO PRÓXIMO (PP) - Este plano é cortado pouco abaixo das axilas. Permite por exemplo imagens de alguém a fumar, cortando totalmente o ambiente em redor. Este tipo de planos privilegia o que é transmitido pela expressão facial.

GRANDE PLANO (GP) - Este plano é a expressão na sua máxima importância. É um plano que é cortado pela parte superior dos ombros. Este plano retira a acção e o ambiente da imagem.

MUITO GRANDE PLANO (MGP) - Plano de expressão exagerado. É um plano que ao ser cortado pelo queixo e pela testa permite que seja aumentada a carga emotiva da imagem para o telespectador.

PLANO DE DETALHE (PD) - Este plano foca apenas parte de um corpo, desmontando assim o corpo humano. Este plano permite também que seja aumentada a carga emotiva da imagem, ao focar, por exemplo, uns olhos a chorar.


Ao introduzirmos movimento na câmara, criamos outro tipo de planos dependentes desse movimento ou do uso de um ângulo diferente dado à câmara.
Assim temos:

--> FOCA-DESFOCA: Plano em que ao focar-se o primeiro elemento mais próximo desfocase o segundo elemento.

--> ZOOM: Aproximação, ou afastamento, a determinado objecto. Este tipo de plano deve ser equilibrado, não deve ser muito rápido nem exageradamente lento.

--> PANORÂMICAS: Normalmente é um movimento efectuado de acordo com a nossa leitura ou seja da esquerda para a direita apesar de se poder efectuar no sentido contrário. Também é um plano que requer equilíbrio, não devendo ser nem muito rápido nem muito lento. Neste plano, o movimento da câmara é apoiado no eixo do tripé.

--> TILTS: Movimento parecido com a panorâmica. O movimento é também efectuado normalmente de acordo com a nossa leitura, de cima para baixo, apesar de se poder efectuar no sentido oposto. É também um plano que requer equilíbrio, não deve ser nem muito rápido nem muito lento.

--> TRAVELLING:
Movimento bastante utilizado no cinema. A câmara efectua um determinado percurso. Este tipo de plano é normalmente utilizado em situações de explicação de determinada situação/movimento.

--> TRACKING:
Movimento que segue uma personagem ou um objecto que se movimenta, como se fosse uma perseguição.
Este género de planos deve ser utilizado com bom senso. O uso excessivo na mesma peça deste género de planos acaba por transmitir a ideia de um trabalho feito à imagem de um vídeo de casamento.

ALGUNS APONTAMENTOS RELATIVAMENTE AOS PLANOS: Apesar da descrição sucinta de cada plano, os limites referidos nunca são rígidos. Cada caso é um caso, e se determinado plano (feito de acordo com as regras apontadas) é indicado para determinada peça isso não significa que esse mesmo plano resulte na peça seguinte.
O repórter de imagem, em consonância com o jornalista, seu colega de equipa, deve optar sempre pelos planos que vão encaixar na história. Para isso é fundamental otrabalho de equipa e um perfeito conhecimento das razões pela qual estão a fazer aquele trabalho. Uma boa preparação do trabalho é fundamental para que exista um bom trabalho de equipa.
Nota: Filmar é contar uma história, não é apontar a câmara e carregar no botão.



ERROS DE ENQUADRAMENTO:

--> A IMAGEM EGÍPCIA: Um erro habitual é quando o entrevistado fica de lado para a câmara, ficando assim o
entrevistado de lado, e metade do visor vazio. É uma imagem pobre e errada, que nada diz ao telespectador.
Este erro tem uma solução extremamente fácil, o jornalista coloca-se sempre ao lado da câmara de filmar. O entrevistado surge bem enquadrado na imagem já que olha para os olhos do jornalista. Desta forma o telespectador pode observar as expressões do entrevistado, detalhes que acabam por reforçar a ligação entre o entrevistado e o
telespectador.


--> IMAGENS PICADAS: O olhar da pessoa deve estar sempre ao nível da objectiva. Nunca se deve filmar um convidado ou jornalista de cima para baixo (picado), ou ao contrário de baixo para cima (contrapicado). No caso de alguém filmado de cima para baixo estamos a dar uma imagem do convidado de ser alguém diminuído. Se o convidado for filmado de baixo para cima estamos também a dar uma falsa imagem de poder.


--> ABERTURAS, PASSAGENS E FECHOS: O jornalista nunca deve surgir em plano próximo em qualquer destas situações devendo usar o plano médio.
A posição do jornalista deve ser ligeiramente diagonal, com o cenário em fundo. O telespectador fica, desta forma, com um enquadramento mais agradável
Ao usar as passagens, o jornalista nunca deve ficar no centro da imagem, mas sim num dos lados, para que o ponto de fuga ser aproveitado, valorizando a informação visual.
Neste tipo de imagens o limite é sempre a cintura. Porém, caso seja necessário, pode-se usar o plano inteiro, sendo este fechado até se atingir a zona da cintura.
Para este tipo de imagens serem utilizadas e bem feitas o trabalho de equipa entre o jornalista e o repórter de imagem é fundamental. Assim o conjunto do ambiente e do jornalista saem reforçados.
Os movimentos de câmara e do jornalista devem ser treinados para que exista sincronização.
As passagens, aberturas e encerramentos não devem ser iguais. O jornalista deve ter todas as condições para uma boa imagem e o repórter de imagem deve orientar o jornalista de modo a que os enquadramentos sejam os correctos.
Este tipo de planos deve reforçar o trabalho da equipa e a qualidade do trabalho e não o contrário.





OBS: para consulta da informação original e acesso a imagens de esclarecimento sobre os planos de filmagem, acessar a: http://filmagem.blogspot.com/2007/10/tecnica-de-captura.html
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